terça-feira, 11 de maio de 2021

Flores mais escuras


Querido diário, me disseram que devia apenas falar da luz do sol, fazer um diário de coisas boas e alegres. Mas... Eu preciso contar a parte mais sombria...

Hoje eu trabalhei. A sensação de ser observada e alguem apertando minha coxa não foi embora.
Seria por que uma colega de trabalho me elogiou? Para dar contexto, eu sempre uso roupas de 1 a 3 números maiores que eu, por ter ombros e coxas grandes, então parece que ta folgado, mas, em alguns pontos como a articulação do ombro e quadril, tá no tamanho certo. Ela apertou a minha coxa e foi muito desconfortável.

A sensação demorou para ir embora.
Eu me senti perseguida e observada ao ir ao banheiro, a luz apaga a cada 1 min. É desagradável a luz apagar e acender apenas quando você se mexe para o sensor.
Não preciso descrever o que vejo quando as luzes apagam né?


Final de semana passado eu deletei sem querer a minha foto favorita. É triste, pois estava tentando a enviar para imprimir em uma máquina de fotos que aceita arquivos via aplicativo.

Hoje meu amor me fez carinho no queixo.
Sua imagem distorcida ecoa na minha cabeça, a sensação do meu maxilar inferior rasgado com a língua escorregando para fora da boca, ainda persiste.

Eu apenas disse " me assustei"... E apenas me afoguei neste sentimento de horror, medo e dor.

Tudo é frio e sombrio. Nada me aquece. Nada me conforta. Tudo é áspero e duro, e minhas alucinações transformam qualquer carícia em uma mutilação.

Eu sou um punhado de carne presos a ossos com restos indicativos de roupas,cabelos e qualquer outro traço humano...

Eu me vejo pior que um zumbi apodrecido.
A dor latente me aflinge, eu manco e me arrasto entre uma obrigação e outra.

Viver é doloroso. Respirar é sufocante, não compreendo muita coisa. Não consigo me focar no lazer, nem relaxar. Como um rato de laboratório, vivo na agonia, no desespero da incerteza de qual será o próximo experimento.


Eu estou respirando. E as vezes me sinto péssima por isso. Quantas pessoas não dariam uma parte de si para ter metade da minha saude física?

As vezes... Queria dar minhas pernas, pés, até outra parte de mim por um pouco de sanidade e saúde mental.


Afinal. Que pomada vc passa em um maxilar destroçado?... Mas um maxilar destroçado que só você vê e sente?

Meu corpo é saudável... A minha mente não.
Vou ir dormir, sem a certeza que acordo amanhã. Meu corpo acorda....mas a minha mente... O meu eu?


Ah... Nem os Deuses sabem... 

Eu realmente lamento existir. Eu realmente me culpo, realmento... Peço desculpas.
Afinal, minha mente quebrada... Em um corpo saudável... Quantos não dariam algo para ter a saúde física que tenho?

.... Eu sou aquele motor de Brasília, de fusca arremendado preso a uma Ferrari pronta para correr. Mas, que por motivos óbvios, não saí do lugar com eficiência.


Eu sinto dor, medo, frio... E nada tem me ajudado nisso.

Desculpe por isso. Eu sinto muito...

Sabe, eu sinto muito... 

Flores...


Querido diário. Comecei a colecionar fotos de flores, geralmente tiro fotos quando me sinto feliz ou vejo uma bela paisagem.

Por que flores? Bem, a primavera esta a todo vapor, e a beleza frágil das flores me traz certa paz. Por alguns instantes minha mente fica em silêncio.

Ultimamente o medo, visões ruins e sentimentos ruins tem me sufocado. Como se eu fosse morrer ou ser punida a qualquer instante.

Eu não me sinto segura. Tudo me machuca e me assusta, minha pele coça e arde, meu corpo as vezes parece estar se desmanchando. Mas acho que fisicamente estou bem, um pouco de dor nos dentes por causa de ficar a morder, cerrar os dentes sem perceber.

Não me lembro de quando eu pude relaxar sem ter uma crise mental. Não me lembro de quando foi a última vez que me senti tão livre e bem. Nada tem dado certo, ao menos dentro da minha cabeça. Algo esta se despedaçando a cada dia, cada dia o sol esta mais cinza.

A sensação de morte eminente não passa. Sensações de terror e horror que não me deixam em paz. Ou tenho medo, ou tenho frustração, se não é isso, é dor.... Sempre um ciclo perfeito desses três, dor, medo ou frustração, tenho com poucas variações desse ciclo.

Tenho passado muitas horas sozinha.

Eu queria me esconder em um canto e ficar quieta até tudo estar calmo. Mas, eu tenho um trabalho, boletos e obrigações.

Isso não é ruim, é apenas a parte comum da vida adulta. Porém... Não acho que a maioria dos adultos vive do jeito que eu vivo.

É complicado por em palavras as cena de horror visual e sentimentos abstratos em palavras.
Escrever aqui e tentar ser racional tem sido minha injeção de adrenalina, pancada na cabeça, conserto percursivo.

Eu preciso viver. Pois talvez um amanhã melhor virá.

Se caso o amanhã não chegar. Estará tudo bem. Estar respirando tem sido uma vitória.

Eu consigo comer, andar e trabalhar. As vezes é difícil dizer bom dia ou fazer algo espontâneo sem planejar por alguns minutos.

Uma parte minha esta podre. E bem... Eu vou andar até onde eu conseguir... 

Vou sorrir e apreciar o que consigo ver. E chorar quando tudo desmorona. Esta tudo bem...
Esta tudo bem.