sexta-feira, 22 de abril de 2022

eu... sou obrigada?


Eu sou obrigada? Um amigo disse para eu fazer uma surpresa ao meu amor, me deu dicas e eu fingi que fiz o que ele disse. Não estava afim de fazer, preferi só fingir e entrar na brincadeira.
Depois ele me perguntou como foi. E eu disse "foi bom". Ele disse que sou obrigada a detalhar por que ele deu a idéia.

Bem... Isso me chateou. Por que... Bem, eu falo muita coisa abertamente, não temo falar da minha vida íntima ou das minhas dores. Mas as vezes... Eu quero falar quando eu quero... Não gosto de ser "obrigada abrir o jogo".

Eu não acho que eu seja bonita o bastante para alguma coisa. Sabe, as coisas não estão fáceis. Mas eu não quero mais ferrar a minha cabeça em troca de dinheiro. Eu tô começando a pensar em ser qualquer coisa desde que isso traga o prato de comida na mesa.

As vezes acho que eu sou uma baita preguiçosa, é assim que eu me sinto. Uma preguiçosa sem energia para nada. Eu sempre tento meu melhor, cozinho o melhor que posso. Mas... Isso é o bastante? Acho que não, o mundo não é feito pela meritocracia.  Eu posso dar duro e mal ter comida na mesa.

Eu penso que quero reconhecimento. Mas... Eu mesma não consigo ver alguma coisa boa em mim. Hoje eu quero só me esconder. Mas... Não posso ficar assim pra sempre, não?

Eu vou divertir as pessoas em teoca de um trocado. Eu preciso desenhar? Tirar fotos? Dizer o que você quer ouvir? Eu serei uma boneca de aluguel.

É horrível, não? Mas... Isso machuca menos a minha cabeça que me enfiar em uma linha de produção e tentar fingir que estou bem, mas eu to um lixo.

Eu sei, estou acima do peso. Eu não saio da cama para quase nada, eu preciso comecar me exercitar. Mas a verdade é que penso mais em uma dieta mais leve. Pois... To desanimada de comer quando estou sozinha. E eu odeio sair sozinha, me sinto desprotegida e frágil. Odeio essa sensação.

Ok, vamos lá novamente ser uma boa boneca. Eu não quero. Mais quais são minhas opções?
Eu preciso comer e tenho pessoas importantes que precisam de mim.


Sabe, nada que alguém me disser é pior do que os monstros me comendo por dentro. Eu preciso de ajuda... Mas acho que sou um peso. Então preciso... Aprender a me cuidar sozinha.

Aliás, eu fiz 27. Achei que as coisas iam melhorar ao ser adulta. Mas... Eu ainda me sinto como a mesma adolescente ferida... A dor não diminuiu tanto. Por que diabos... Isso não passa?

Bem, eu tento só me encher com distrações e engolir tudo isso. Afinal, preciso ser paciente. É o que me dizem.