quinta-feira, 19 de setembro de 3011

Bem vindos


Bem vindos meus amigos,ao meu querido e simples diário que atualizo sempre que dá vontade,então posso atualizar até quase 2 ou 3 vezes no dia ou apenas 1 vez ao mês,varia muito. Mas em fim,bem vindos ao meu mundo...

O mundo mais negro que a própria escuridão da noite. Esta escuridão composta de palavras e sentimentos pode ser mais profundo que o próprio mar,isso poderá ser julgado por ti. Tu será o leito deste obscuro mundo que estou e disponibilizo para ti. Se fará bom uso dele,isso cabe á ti e não á mim...Faça bom uso...


Jamais esqueça,que tudo aqui,é fruto de mim junto á minha querida Inuyumi,My Fake. E também de nossos amores correspondidos ou não...Em fim,encontrará todo um universo da cabeça de uma pessoa...

[Em breve uma atualização melhor...]

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Talvez eu seja mais forte... sozinha?



Não é que eu não te ame mais. Mas... Eu percebi que estou me machucando e talvez, eu possa ser feliz sozinha... Ou mais feliz sozinha...

As vezes não é traição ou cansaço e desilusão de não ser amado. As vezes é só a dor de estar sem esperanças de dias melhores.

As vezes cansa o olhar e a falta de cuidado.

Eu não sou boa em expressar coisas que me são importantes. Então cá estou eu, sentindo-se machucada de novo. Soluçando e sem esperanças de sair daqui.


E ao falar com a psicóloga percebi que talvez eu seja forte o bastante para viver sozinha. Vainser fácil?

Não. Mas... Sinceramente. Me senti mais leve. 


Não estou pensando ir embora por que deixei de amar. Estou pensando ir embora por que... Acho que sou muito melhor sem ele.

Acho que preciso planejar e pensar calmamente cada coisa. Cada item, cada coisa.

Eu quero ir embora. 

E talvez, eu deva falar que quero ir embora abertamente e me planejar calmamente a ir embora. 

Dói. Mas... É uma dor suave e reconfortante. Eu penso que poderei alcançar meus objetivos.

E qual é eles? Eu quero poder planejar meus sonhos sem medo. Eu quero fazer coisas que me são importantes e sentir que tenho segurança financeira e independência de escolhas. Simples assim.

Quero chegar ao lugar que almejo. E... Talvez. Só talvez. Eu não precise dele para isso.

Eu não quero ficar com ele por que preciso. Eu quero ficar por que me sinto amada e valorizada.

Eu não sinto que ele me valoriza. Por que estou me machucando em pontos que já disse várias vezes que é importante.

Talvez eu deva ir embora. Para ser suficiente para mim. Sem ele. Sem pessoas ao redor. Vou soluçar de medo e chorar. Mas ok, eu sou forte né?

Vou dar um jeito. Vou conseguir. Eu sempre consigo.

A dor não vai embora


As vezes a dor fica. E apenas desejamos aprender a conviver. É como aquela presença incomoda, como usar meias molhadas mas que de certa forma soa... Soa como se precisasse ficar suportando esta sensação.

A questão é que eu não sinto mais vontade de dialogar com meu parceiro.

A questão é que minha confiança nele já acabou faz tempo. Não acho que pedir algo vai mudar.

Na verdade, sinto apenas que pedir ajuda fará com que ele se acomode em fazer as coisas apenas quando eu pedir. 

E se eu não disser, nada irá mudar 

Afinal, se eu não dizer, não é um problema.

Mas sinceramente isso se torna um problema. 

Afinal, não quero pedir. Não quero espectativas que ele irá cumprir, por que me faz dependente dele.

Mas também, não pedir me impede de comunicar meus sentimentos e estou presa neste ciclo de sofrimento...

Não sei sair disso... Não sei sair disso...

Estou com dor. Quero dormir. E esperar que esta sensação horrível passe. Apenas isso. Esperar que isso passe.

domingo, 21 de setembro de 2025

Linguagens de amor


As vezes o cansaço vence. As vezes a luta se torna sem objetivos.

Sinceramente eu, eu me sinto vazia. Acolhida? 

Minha psicóloga fala que devo me acolher e cuidar de mim. Devo chorar e aceitar as coisas. Devo fazer o que posso.

Mas as vezes eu sinto que isso é solitário. Como aquele lenhador que vai na mata cortar a própria lemha e depois prepara a própria refeição e solitariamente desfruta disso.

Eu tenho um parceiro. Ele me apoia em muita coisa. Me ajuda a suportar muita coisa. Mas ao mesmo tempo eu nunca me senti tão... Tão solitária.

A névoa, os lobos e os monstros que só eu posso ver e vencer estão ali. Me aguardando.



Eu acabo sempre ali, esperando. Esperando que alguém me note e me escolha. Que me acolha...

Por que eu não quero mais gritar e desejar atenção. Eu cansei de lutar por essa porcaria.

Afinal, quando você luta demais, o que te servem é sempre uma porção mínima e com aquele olhar que você devia ser grato por essas migalhas.


Sinceramente. Essas migalhas de afeto. Me fazem sentir solitário, faminta e cansada.

Me perguntar por que eu preciso me virar e lutar. Por que eu preciso correr e me esforçar. Por que eu?


Por que ele não pode me ajudar? Por que sobra para mim fazer tudo? O mínimo esperado nunca é feito.

Então... Então eu preciso anotar, correr atrás e lutar.

Mas... Eu estou cansada. Eu só te pedi 1 coisa... 1 coisa...

E você não é capaz de me dar. E isso... Eu estou aos poucos começando a pensar... Eu realmente... 

Eu realmente valho tão pouco?


Você disse que me ama. Mas não sinto nenhuma atitude sobre isso.

Se eu não buscar comida. Passamos fome.

Se eu não cozinhar ou pedir não há jantar.

Se eu não lavar esta sujo. Se eu não arrumar está bagunçado.

Eu imploro ajuda. Mas você diz que vai fazer e não faz. Isso tem quase 10 anos...

Eu realmente... Eu realmente estou cansada.

Eu cansei. Eu quero mais. Eu quero me sentir amada.

Essas migalhas não bastam. Eu esperava que você me ofertasse mais se eu lhe desse mais de mim. Como um retorno de meus esforços...

Mas... Você só me enche de objetos. E uma felicidade momentânea. É bom. Mas... Quando a porta se fecha. 

Me resta um ninho vazio cheio de coisas...


A solidão ecoa. E a tristeza bate. Eu não quero mais comer. Não quero mais sonhar com nada.

Eu sinto... Eu realmente sinto que não importa... Eu sinto que não importa...

Tô exausta. Queria apenas descansar minha cabeça. Mas se eu não me esforçar. Se eu não lutar. Não haverá amanhã para mim.

Estou triste. Estou com frio e dor... E meu lamento é coml um uivo solitário para a lua...

Você só vai mudar. E eu cansei de esperar e lutar. Preciso me levantar e encarar isso sozinha. Eu preciso ser suficiente sozinha... Eu já fiz isso antes. Posso fazer de novo...


Eu posso... Mas a verdade é que não queria... Eu queria um companheiro. Um que segura o escuro e não me permita cair...

Mas infelizmente, as vezes você ache como uma conta bancária com batimentos cardíacos.

Isso dói. Isso me corta.

Eu queria um companheiro...

É tão solitária e frio aqui... Mas não adianta eu lamentar. Meus lamentos caem em seus ouvidos surdos.

Você é surdo. E meus pais eram cegos.

Estou só... Ninguém para me ajudar...
Dói. Isso doi tanto... Tanto... 


Preciso ser autosufiente sozinha.
Mas eu não queria. Eu queria uma matilha. Eu queria ser aquecida, eu queria sentir o peso ser dividido. 

Eu queria... Eu queria... Muito... Ser parte de alguma coisa...

Mas... Esta tudo bem. Eu sou forte. Eu fiz isso antes quando um mero filhote. Então serei capaz de fazer de novo.

Eu sou forte.

Eu sou... Forte...


Eu sou... Forte

terça-feira, 19 de agosto de 2025

quando quebra e dói


Quebrado


A confiança é como um copo de cristal delicado que é arranhado, trincado às vezes, mas quando quebra, se recolado fica marcas claras.

Eu. Eu realmente sinto que quebrou algo importante aqui dentro.

Não é que eu não sinta mais desejo ou atração, nem amor. Mas, eu não sinto mais aquela sensação calorosa de abrigo.


"Que o meu corpo já não é mais seu abrigo
Não tenho culpa por você não me querer
É uma desculpa pra tentar me convencer
Que acabou
Que acabou pra nós dois"

-inferno -Reacao em cadeia


Eu escuto esse trecho. E de fato, o seu corpo não me acalma mais, não é um abrigo. Não é um refúgio.

A sua voz que me aquecia e me deixava ansiosa já não faz falta. Às vezes eu estou ansiosa que ele vá logo trabalhar e me deixar em paz.

Eu não o quero mais. Não sinto muita coisa quando me toca. Muitas sensações estão ali, mas a primeira, a sensação que mais me cativava, a euforia... Algo esta quebrado.


Temos um ao outro, ele me ouve, temos sexo. Só não temos dinheiro. Temos o mínimo para sobreviver. E isso não é o bastante?


... Eu sou um monstro por me sentir tão infeliz mesmo tendo um parceiro que tenta me fazer se sentir amada, desejada e bem cuidada?

Eu estou errada em querer ficar isolada de luto pelos meus sonhos mortos?

Eu... Estou deprimida. Por que não consegui nada do que queria.

Queria um belo álbum de fotos do meu casamento. E não tive isso.

Queria filhos, e não pude ter. Ainda posso tê-los, mas sendo tão pobre, eu realmente devia tê-los?


Eu queria me sentir bonita, mas tenho nojo do meu reflexo. Talvez se eu me esforçar mais.

Eu queria que alguém segurasse minha mão e me guiasse para a direção que quero ir. Queria alguém que limpe minhas lágrimas e me faça não sentir medo ou sentir que preciso pisar em pregos e me machucar para fazer o mínimo.


Eu sinto que estou me agredindo. A minha psicóloga diz isso. Eu me saboto, eu me machuco, eu não me sinto digna.

Essa é a verdade. A culpa de falhar é minha.

Mas... Eu não sinto que sou uma planta de beira de estrada. Eu sinto que sou a planta que nasceu na rachadura do acostamento. Que ocasionalmente passa carros, pessoas, caminhões em mim... Que cada vez que me reergo algo me joga ao solo.

Dor. 

...
"Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor

E toda dor vem do desejo
 de não sentirmos mais dor

Quando o sol
Bater na janela do teu quarto
Lembra e vê 
Que o caminho é um só"

Quando o sol bater na janela do seu quarto- legião urbana 


Quem... Roubou o meu coração?
Quem me quebrou dessa forma tão cruel?

Eu estou com dor. Solitária e com medo....

Porém dessa vez, não vejo esperanças dos meus sonhos. Nem esperanças de novamente sentir-me segura...

Antes eu me sentia segura e com dor...

É estranho. Nos valorizamos as coisas quando as perdemos. Eu sinto que estamos a ir para o fim desse casamento.

Eu posso ver os sinais, as rachaduras crescendo devagar. Algumas estão sendo reparadas por mim, por ele.

Mas desta vez. Sinto que algo importante se estilhaçou...

Eu já tive dias que o odiava, que não o amava mais, dias que quebrei meu coração por sentir-se com medo...

Mas... Agora. Agora... Quebrou mesmo algo importante.

Eu não acho que alguém irá me ouvir.
Eu não confio que minhas lágrimas mudarão algo.

Eu chorei ontem. Chorei hoje...

E sinto que nada mudará.
Sinto que ele não ouve o que me é importante.
Sinto que não tenho ajuda, que não sou valorizada.

Tipo, ele me valoriza. Mas... Agora. Agora que estou ferida? Que já sinto que quero ir embora? Que já encaro a porta de saída?

Agora que já nem me importo mais de esperar, falar e pedir?

Agora?


Agora. Eu tenho o que tanto queria?
Agora que já tenho rancor e decidi não querer mais?


Eu decidi pedir o mínimo. Decidi não confiar mais. Não nos quesitos da casa, da rotina.

Porém observei que por sermos de orçamento pequeno e eu não sentir que alcancarei meus sonhos. Comecei me ressentir. Comecei a sentir tristeza.

Queria ver tokyo no halloween. Ir em uma casa noturna ouvir música.

Queria comprar asas de uma fantasia.

Eu me esforcei tanto. Mas. Não consigo.
Isso dói.

Eu preciso me esforçar mais. Eu preciso continuar tentando mesmo não vendo "frutos".

Isso dói... 

Eu sinto dor. Eu sinto frio. E eu me sinto solitária. Os pesadelos me comem. E eu não posso ser salva.

Novamente me sinto naquele abismo familiar. Talvez eu devesse aceitar a medicação. Eu me tornaria um adulto funcional. Apenas perderia a criatividade. Meus sonhos, o que me faz reconhecer como eu mesma...

É como vender minha alma. Para salvar o corpo. Soa estranho não?

E... E a culpa... A culpa é minha.


"Quem foi que manchou o coração dela de preto?
Ei,quem foi? Ei, quem foi?...

....

"Quem foi que jogou fora nossos sonhos em uma vala?

Ei, quem foi? você já sabe né?

Quando vou me tornar um adulto?

Para quem eu deveria perguntar?

Ei, o que você vai fazer? Eu já não ligo mais"
ロストワンの号哭 (Lost One's Weeping)- vocaloid


A versão do gakupo kamui é a melhor na minha opinião, mas... Ache uma e aprecie como é a cabeça de alguém se perguntando mil coisas e agitada ao som da música...

Em fim. Eu só queria lamentar um pouco. Vou lá lavar a louça, arrumar esta casa. Lutar essa batalha perdida. Afinal, mesmo que eu queira desistir. Eu ainda preciso continuar.

Eu preciso... Não sei por que. Mas, só olhar o tempo passar não me ajudou em nada. Talvez eu precise mudar minhas ações para mudar meu futuro. Se eu estou construindo algo?

Eu não sei. Mas. Uma coisa eu sei. Eu não sou mais aquela pessoa que se congelava na dor.

Eu ainda sinto a mesma dor. A diferença que estou aprendendo focar.




terça-feira, 5 de agosto de 2025

catarse


Eu senti a dor e compreendi de onde veio. A confiança quebrada, as consequências. Eu precisando me desdobrar para suprir o básico para mim.

Eu ainda não comi. E falei com a Ia do meu celular. O gemini.

E então as palavras que ouvi, a validação da dor. A orientação do que preciso fazer, me ajudou a chorar.

Como uma catarse. Eu chorei.

Transbordou para fora a dor. A sensação de validação que esta tudo bem me sentir mal assim.

Eu tenho apenas leite no estomago. É tudo que coloquei para dentro. Leite com um shake de substituir refeição.

Isso é minha alimentação. Essa "ração".

E meio que é catártico. Eu não tenho segurança que se eu falhar terei comida na mesa. Se eu falhar. Estarei faminta.

E... Ok. É catártico.

A sensação de algo ruim saindo, o alívio que nem sabia que precisava. As lágrimas escorrem.

E... Ok, esta tudo bem. Esta tudo bem eu chorar assim não?

As consequências de ter confiado nele.

Eu não comi hoje. E não será a primeira e nem a última vez... É minha culpa por confiar nele.

Da próxima vez eu faço tudo sem confiar nele. E então não estarei aqui, com fome.

É catártico... Eu gostei dessa palavra.

Vou escrever um pouco. Alguma história de fantasia. Isso não enche meu estomago. Mas alimenta e acalenta meus sentimentos.

Hoje não tem comida para mim. 

Eu não consigo. E talvez eu não devia me forçar tanto até vomitar e chorar.

Talvez eu deva apenas deitar na cama e chorar como uma criança pequena.

Amanhã talvez eu esteja melhor e consiga fazer comida. Estou com fome.

Mas ao menos. Eu tenho a mim mesma.

Eu posso confiar que logo irei melhorar e fazer comida.

consequências


Eu já toquei nesse assunto com meu esposo algumas vezes.

Eu já expliquei a importância das coisas. Mas... Isso não importa.

A pia esta suja. Eu quero vomitar.

Não consigo comer e limpar a cozinha para que eu possa almoçar.

Estou faminta e quero chorar. Me sinto com fome e abandonada. Isso é tão doloroso.

Mas... Eu decidi não me ressentir dele.

Eu confiei que ele cuidaria de algo importante para mim. E como sempre. Ele falhou comigo.

Agora estou 3 dias sem comer algo descente. Estou deprimida. Estou com fome.

E não quero comer. Na verdade. Eu digo que não quero comer, para não me ressentir dele.

Eu vou ficar sem comer? Não, decidi que vou comer o que estiver fácil tentar lavar o mínimo de louça e sobreviver assim.

Quero vomitar.

Eu quero comer.

Eu preciso de ajuda. Mas ele não pode me ajudar. Estou a sofrer pelas consequências de ter confiado nele...

A culpa é minha. Se eu tivesse não confiado algo tão importante para ele. Eu não estaria com fome agora.

Agora só posso me ressentir com a companhia da fome.


Rsrsrs dramático né? Talvez eu devia. Devia mesmo escrever algo.

Solitário



Querido diário, eu escrevi muito e apaguei tudo.

Toda a dor, toda a incerteza que vivi com meus pais eu revivo. O ciclo persiste.

Eu me sinto falando com uma parede. Na verdade, eu gostaria de buscar 15 Kg de arroz na temperatura do verão japonês de 35 graus em sol pleno do que dizer cada coisa pequena que me prova todos os dias que não posso confiar no meu companheiro.

Eu tenho a mim mesma. Eu repito para mim que posso confiar em mim mesma. Que posso contar contar comigo mesma.

E... Bem, essa é a verdade.

Minha psicóloga disse algo. Me apontou a rachadura na minha armadura. A ferida que nunca cicatrizou ao morar com meus pais. Que não cicatriza morando com meu esposo. E que, talvez, talvez isso "infeccione", vire rancor e o amor acabe.

Afinal, amor e confiança é tudo. Eu tenho muito amor, confio cegamente em coisas como dinheiro, relacionamento... Mas... Companheirismo?

Não. Meu marido é meu melhor amigo, meu amor...mas meu companheiro?

Não. Faz dias que eu sonho com isso, sozinha, andando com pessoas desconhecidas que sempre me provam que não são de confiança...

Tudo em mim grita. Não confie nele em nada.


Eu em alguns assuntos, eu esqueço e confio. Coisas pequenas.

A louça abandonada, a promessa de fazer a coisa x ou y. De implorar que não faça a ação x ou Y por que o resultado é X ou Y...

Ah, mas eu resolvo essa situação.

Resolve? 3 meses sem usar a banheira.
6 meses com uma lixeira inútil por que ela fede e eu sou incapa de limpa-la.

As vezes eu rio olhando a senhorita lixeira rindo de mim. Eu sonho em terminar a faxinha e confiante lavar a lixeira fedida.

Sério, um dia acordei feliz sonhando que a lixeira estava limpa e a banheira disponível para um banho gelado...

Foi só um sonho... Afinal, eu não consegui lidar com isso. 


Eu não sou mais a adolescência enérgica feliz capaz de orgulhosa erguer uma feira de 1,80 de altura tendo 1,55. Não aguento mais erguer sacos de 20 kg. Eu era jovem, corajosa e desbravava tudo.

Agora. Sou uma adulta olhando o passado. Lamentando meu eu imperativo querendo reconhecimento...

Tudo que consegui foi aprender a cansar meu físico, minha mente e agora ser tão frágil e danificada...

É solitário. Eu sou solitária em algumas questões. Ninguém pode me ajudar.

E esta tudo bem. Mas... Issdo dói. Não quero comer, não quero ser forte. Quero me deitar ao solo e ficar estirada, deprimida...

Eu estou exausta. Eu não quero mais lutar.

Talvez, talvez esteja ok eu ficar deprimida hoje. Lamentar pela ferida e a falha em minha armadura. Aceitar que talvez, o amor não seja o bastante. Que o que eu acreditava ser confiança, não é confiança. Tipo. Eu confio, mas... Meu parceiro todo dia prova que não é confiável. Todo dia deixa essa ferida antiga sangrar e ser reaberta, o ciclo repete.



Isso não tem cura. Não depende de mim.

E. Talvez eu preciso só aceitar que estarei sempre machucada nessa abertura da minha armadura. Que eu estarei sozinha lutando contra monstros que me assombram desde pequena.

Ninguém é digno de confiança. E esta tudo bem. Eu preciso apenas aceitar isso.

Aceitar que algumas jornadas são solitárias mesmos. E que se essa ferida infeccionar. Talvez me custe o amor. O que me une ao casamento.

Foi doloroso ouvir isso. Mas... Eu percebi que...

Eu não tenho um companheiro de batalha. Eu tenho um melhor amigo, um confidente, um amor... Mas um parceiro de guerra?

Não. Eu sou meu próprio exercício... E isso é solitário.

Acho que lamentarei um pouco essa realidade selvagem que não queria aceitar... Mas... É a verdade.

Meu companheiro provou que não é digno de minha confiança. Mas escolhi confiar nele.

Decidi aceitar essa ferida aberta e esperar que ela não seja o dominó do nosso fim. Mas...

Sinceramente... Talvez... Talvez dessa vez. Eu desista de lutar por nós...e aceite ser solo...

Mas pensarei com cuidado em tudo. Afinal, estou sem dormir. E ouvi coisas dolorosas.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Tão cansada


Ok, é eu de novo. Creio que ninguém mais liga para blogs. Mas cá estou eu aqui para desabafar.

Eu tenho um esposo, uma casa e nem trabalho. Vive apenas eu e meu amor em uma casa que parece digna de um acumulador sa history Chanel. Soa engraçado isso, uma adulta exausta, sem forças de manter a casa, arrumar tudo.

Preciso fazer o jantar, lavar roupas, lavar a louça, fazer compras, equilibrar tudo.

E meu emocional esta em frangalhos. Eu tenho meus motivos, e meu esposo tem os dele. Ele não esta bem, e precisa des cansar.

A questão é que eu não consigo ser o suficiente para ele. Não consigo ser o suficiente para nós dois. Tudo esta caótico e tudo que penso é que estou me afogando em equilibrar tudo.

Sinto que não dou conta. Mesmo lutando, eu não dou conta.

Para que me esforço tanto? Para que eu luto?

Para esperança de dias melhores? Sim, só pode ser isso.

Em fim, tô exausta, querendo desaparecer. Mas... Cá estou. Lutando. Carregando frustrações e abandono.

Eu queria o mínimo. E eu sinto que ao pedir o mínimo estou a pedir muito. Eu recebo amor. Mas a minha linguagem de amor é diferente das outras pessoas.

O afeto que eu quero não posso receber e é complicado.

Eu me sinto amada quando não preciso me preocupar com algo. Quando não imploro até a exaustão por algo.

Se me trazerem copo de água, isso é amor.
Se lavarem a louça sem eu pedir. Isso é amor.

Essa é minha linguagem de afeto, não é a rotina é ocasionalmente eu receber uma ajuda silenciosa.

Isso é o bastante para mim.

Mas se eu precisar pedir. Aí já se torna algo que recebi ao planejar, ao pedir, ao demandar esforço.


É estranho... Mas...eu sinto afeto e amor quando recebo algo sem pedir. Mas não exatamente algo que comentei, um supérfluo que tanro desejava. Eu sinto mais em pequenas coisas. Pequenas decisões.

Eu sou indecisa e gosto de pessoas decidas. A questão que pessoas decidas podem soam manipuladoras... é uma linha tênue...

Assim como para mim, opressão e amor é uma linha tênue...

Eu tô exausta. Palavras não me alcançam. Toque não me saciam. Eu não me sinto amada xom nada disso.

Talvez isso faça sentido...talvez não.

Minha linguagem de amor é diferente dos outros.

E as vezes sinto que... Meu amor não é capitado. 


Eu sou um gato trazendo peixes para um dragão. Eu não posso caçar ovelhas e algo descente.
Não somos compatíveis. Mas, não se importamos com isso. A gente tem algo melhor que amor.

Temos empatia, companherismo, respeito. E isso é muito melhor que um prato retorcido de veneno com uma placa escrita amor.

Eu não me sinto amada. Mas eu sou amada. Aprendi entender a linguagem de amor das pessoas. Aprendi as amar e tentar seguir sua linguagem de amor, com palavras, gestos...

Mas... As vezes. Sinto que não podem me amar como meu lado "primitivo" anseia...

Isso gera dor e frustração. Mas aprendi ser racional. Aprendi a lidar com isso.

É um problema meu.

Sabe... As vezes pode soar que meu esposo é uma pessoa ruim. Ele não é mau, distraído ou ausente. Ele só tem uma linguagem de amor não compatível.

E eu. Aprendi a lidar.

Assim como ele tem de lidar comigo que não é fácil, que é selvagem e violenta. Pois eu não vim de um lar de amor. Eu vim de um campo de guerra selvagem hostil onde sobrevivência grita na tua cara antes do bom dia.

Eu sou selvagem. Eu sou brutal. Eu não sei amar.

Mas sabe de uma coisa? Eu tenho me esforçado. E cedo ou tarde isso será só uma insegurança.

Afinal, eu sei onde erro e isso é um bom começo. Um começo....

Em fim, aqui esta minha dor em palavra enquanto digito de um campo de guerra que construí ao meu redor. Tá na hora de sermar as minas de guerra.

Tá na hora de ser forte e retomar o controle. Eu não estou bem. Mas, quem esta?

Quem...esta?

quinta-feira, 27 de março de 2025

O reflexo no espelho


Eu era pequena, e já via aquele alguém, rindo, e me chamando para correr e sugerindo brincadeiras.

-você viu aquela garota?...-eu disse para alice, minha babá.

-que garota?-ela disse confusa.

Então eu soube, naquele momento, enquanto a menina ria de forma levada que  não era real. Era nosso segredo, nunca falei dela, a menina sem nome que amava correr e brincar.

A menina que me disse sobre fica quieta, não fizer que podia vê-la se não me levariam ao hospício e coisas ruins aconteceriam. Falavamos em sussurros, até que aprendi conversar olhando o vazio...

E assim foi. Ela se foi, outros vieram. O meu outro eu de dentro do espelho é tão volátil quanto ver o reflexo em um lago, se distorcendo e sendo mudado a qualquer menor coisa.


Eu tentei ignorar todos, silencia-los. Até remédios tomei. Me anulando, me cortando, me modificando, enlouquecendo ...

E agora no auge dos meus quase 30 anos. Entendi, eles nasceram comigo e vão partir comigo... Enquanto eu viver... Eles vão viver. E hoje aprendemos a rir e chorar, conviver em paz...


Eu sou louca? Talvez... Mas sabe. Desta vez, esta tudo bem... Isso não tem cura e eu não preciso de pena. Apenas...vejo o mundo de forma diferente ... Eu nunca estou só.

Eu não sei o que é solitude... Pois sempre há uma sombra me fazendo companhia. Isso é bom?

Eu não sei... não conheço outra realidade sem remédios...
Em fim... Só...queria compartilhar que...esse é o meu "normal". Eu e eles ...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

As profundezas


As profundezas do meu coração é um lugar inóspito,frio e escuro, cheio de coisas quebradas e se bobear vai se perder e esquecer para que lado é a superfície do mar, pois é tão profundo e distorcido que o sentido das coisas são perdidas.

Tenho dias bons, dias alegres, mas em ondas de maremoto meu coração se agita, relembrando a dor da perda os lamentos que engoli, o choro que não derrubei, as vezes que disse "esta tudo bem". Tudo que não chorei, não lamentei e deixei afundar no fundo de minha alma, no cemitério de navios dos sonhos...

Meu coração é como o mar onde pedras traiçoeiras engolem os navios de sonhos e nada restam, nem uma única tábua.

Eu sei... Eu só quero chorar, por lógica nesse sentimento abstrato de frio, sufocamento, dor. Acreditar que há feridas que possam ser reparadas. Eu estou com dor e quero atenção e cuidado... Quero muito gritar e chorar...


Mas.... Ok. Ok... Eu sou adulta e posso engolir tudo e seguir em frente. Mas... É a rota certa? Talvez não... 

Eu não sei as respostas. Mas... Descobrir as perguntas já é um começo não?

Ao meu coração que enterrou todos os meus barcos dos sonhos. Aqui fica, meu lamento...

Aos navios que nunca chegaram ao seu destino, aqui fica meu pesar e as lágrimas que antes não derramei.

sábado, 4 de janeiro de 2025

tão quebrada


"Não toque o seu rosto"
"Não coma assim"
"não ria alto, não fale assim, não pode, não... não, não!"

Quando percebi eu já era tão modificada que nunca soube quais eram minhas reais cores, me lembro de dizerem como eu era feia chorando, como era mal educada, em cono era isso e aquilo.

Eu achava incrível quando alguma palavra doce me era dita.

"você fala bem"
"Você fala como um adulto"

Oh, isso era o que eu mais amava de ouvir. Mas aos poucos se tornou.

"Ela fala difícil, eu não entendo nada"

Aos poucos eu não sabia para onde ir para ter migalhas de amor e atenção. Então devagar tentei ser medíocre para me destacar, mas lá no fundo eu odiava o reflexo que surgia de mim mesma...


Cabelos longos prateados e uma pele alva e corpo pequeno e magro. Esse oposto da pele bronzeada suavemente, cabelos negros longos e olhos escuros faziam com que eu acreditasse que seria melhor assim.

Devagar fui modelando buscando mais e mais formas que alguém olhasse e visse meu defeito. Eu quero um tiro na perna, olhos sem ver, uma garganta que não pode gritar, alguém me dê uma marca visível. Uma ferida gritante... Era o que eu berrava na adolescência.


Mas... Hoje em dia eu só quero alguém que me ajude faça a dor ir embora. Uma mente mais limpa sem estar nublada nas emoções. Quero mais pessoas como eu, não quero estar só...

Cheguei a pensar me meter em problemas apenas para por um fim em tudo. Cheguei já irritar e embebedar uma pessoa e apoiar suas maos em meu pescoço e implorar que desse fim á essa existência miserável...

Eu era ... Eu sou.... Tão quebrada...


Desejando o amor loucamente.
Atualmente sou amada. Mas isso não curou a dor e nem tornou minha mente saudável. O amor que achei que seria a minha cura não é o bastante... Por que? Eu não sou o bastante?


O que aconteceu? Por que sou assim? Tenho 30 anos em breve e sem espectativas de melhorar e ser diferente... Ninguém pode me salvar?

Por que é tão doloroso?

Pelo que estou pagando? O que eu fiz de errado? Para onde devo ir?

Por que sou essa coisa quebrada?...
Eu adoraria saber cantar. Mas infelizmente sem professores tudo que aprendi foi escrever e tentar... Tentar ser excelente nisso ao me expressar...mas sinceramente...eu queria era ser mais verbal...


Cale-se!!! Você é horrível! Cale a boca!


Eles riem. E eu apenas fico quieta sentindo algo em mim quebrando... Algo em mim...


Esta quebrado... 

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

... Isso cansa

(Foto: pixai ia)

Meus pais não ouviam sobre meus sentimentos. E parentes falavam coisas como: você é mocinha, precisa parar com isso.

Bem, quando você tem 3 ou 4 anos e ouve esse tipo de coisa, você aprende simplesmente aprende esconder. E bem... Tente esconder sentimentos de dor, frustração e lágrimas uma vida inteira... 

É, é cansativo, doloroso...


Eu acabo sempre dando 200% de mim ao tentar me expressar. E como ninguém me ouvia, me tornei boa em escrever. Porém... 

Isso me tornou solitária e sem saber como lidar com tudo que sinto. Sou como uma boneca bem usada e quebrada que nem se lembra mais sua própria origem ou sua função original. Que frase devo dizer? Qual o ângulo correto da minha postura? Quais eram minhas peças de fábrica?... Ah... Eu não sei.


(foto: google)


Eu me esforço muito. Eu vou além do meu limite, mas eu falho, eu tento explicar. As pessoas não entendem e eu tento de novo, de novo, de novo.

Até que a frustração é dolorosa quando perdem a paciência em ouvir. 

"Seja direta!". "Fala logo o que você quer", "Não sei o que você quer, mas a resposta é não"

Isso é doloroso. Essas memórias colaram em mim como uma tinta, um chiclete velho... Doi tanto. Eu não consigo tirar. Me sinto lutando, nadando para ficar na superfície, mas me afogo de novo, de novo, de novo....


Eu tenho limites estúpidos. Aqui segue uma lista estúpida.

-Se a cozinha ou o lixo tiver cheiro forte, me dá ansia de vômito e eu não consigo cozinhar, eu passo mal.

-se houver muito restos de comida nos pratos e no lixo da pia, eu vou vomitar.
(Minha mãe sempre me xingava quando eu lavava a louça, pois era incapaz de limpar o ralo da pia)

-tenho medo de armários. Se um estiver de porta aberta e eu tiver de entrar e estat de noite no comodo, eu não entro.
(Sim, eu dormi na sala)

Odeio espelhos, tenho medo de espelho. Se puder jamais terei no cômodo do quarto ou onde passo com frequência.
(Havia um espelho voltado para minha cama, jamais superei o horror de dormir e ver um reflexo extra no espelho, e não havia mais ninguém comigo no quarto)

-Teias de aranha, casca de insetos, moscas mortas...sujeira de bichos.

Eu tenho horror em tocar nisso, me estressa muito limpar esse tipo de sujeira, tanto que as vezes chego ter diarréia, vômito e dá sensação de febre, taquecardia. Eu realmente odeio isso, então tento ignorar. Mas... Admito que as vezes me perturba ficar meses olhando "restos mortais".



Eu sinto falta de fôlego fácil, então odeio limpar, cozinhar, por que preciso de pausas, as vezes é tontura, pânico, sei lá, passo mal e jamais aguento fazer atividade depressa, eu preciso fazer em etapas, devagar...
Mas sempre levei bronca e ingratidão ao me darem uma tarefa.

"Se vai ter tanta má vontade, por que aceitou fazer?"

Falavam isso, sendo que se eu recusasse ficava de castigo, ouvia xingo e ficava um clima ruim em casa...


Quem é a pessoa estranha no reflexo do espelho?

Por que eu sempre falho? Era só uma tarefa simples! Simples... Mas estou falhando...

Por que?

Farei de novo... Vou tentar de novo... Talvez eu falhe... Talvez novamente eu falhe... É pessimo essa sensação. Mas... O que posso fazer? Já dei meu melhor. Não é o bastante...

Mas... O jeito é manter um ritmo constante, um progresso constante...

Estou cansada. Quero revesar. Queria sentir que alguém pode me ajudar... Não precisa ser com tarefas fisicas. Pode ser apenas com meus sentimentos que pesam dentro de mim... Pode der só isso. 

Em fim... Eu me sinto cansada. Mas não posso parar. Se eu não fizer progresso. Como chegarei em meus objetivos?... É complicado...

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

no friends

(Arte gerada por Pixai ia art)


Eu me sinto solitária, eu preciso de amigos, preciso de ajuda para me reencontrar, estou mais mentalmente saudável, mas também sinto que quero ser um adulto funcional para a sociedade, mas não sei como fazer isso.

Eu sou apenas um adulto que vive como uma criança. Tenho brinquedos, casa, comida, mas... Sem amigos e sem coragem de dizer que estou em um lugar de privilégio de certa forma... Eu tenho problemas iguais de um adolescente, e bem... Ninguém na minha idade quer falar comigo, afinal, meus problemas são de uma criança mimada...


Mas ainda assim... Dói me sentir sozinha e que todos são prioridade e que meus problemas não tem peso algum e eu devo lidar com eles sozinha... Tipo, não sozinha. Tenho um parceiro legal, incrível... Mas... Ele é o que trás dinheiro pra casa... então... É, ele precisa fazer obrigações e eu só fico em casa esperando ele voltar.


Qual a diferença entre mim e um pet? 
Isso é o que eu penso as vezes ao me olhar ao espelho. Eu congelei no tempo... Estou feliz de estar viva para ve-lo sorrir. Mas as vezes quero desistir por que tudo é tá complicado e eu não sinto que sou boa o suficiente... Complexo, eu sei...


Se eu desistir... O que será de "nós"?

Quando amamos alguém, decidimos não machucar essa pessoa. Mas ao mesmo tempo, as vezes se machucamos no processo.

Eu preciso... Preciso mesmo de amigos e alguém que me ajude achar meu caminho...

Mas quem? Eu deveria comprar um amigo?

Eu preciso de um "colt"?

Eu não quero mais esta vida solitária... Eu preciso, eu preciso... De alguém... 

Eu tô triste, por que estou cansada de me sentir só... Dói e machuca... 

Mas eu vejo que sentar, chorar e fazer birra fazem todos ao redor se afastarem. Assim como não me faz compreender com o que faço, eu achava que ser adulta e seguir em frente engolindo tudo cedo ou tarde daria tudo certo. Mas... Eu fiquei mentalmente doente...

Mas sentar e fazer birra também não ajuda... Preciso do meio termo.

Mas onde esta o meio termo? Onde esta os adultos para me guiar?... Por que eu preciso aprender tudo sozinha? Quero que segurem na minha mão e me guiem...

Eu sei, é mimado isso... Mas, é o que eu quero. Não significa que vou receber...


Eu queria... Ajuda. Me ajude... Alguém... Por favor....


Apesar que... Devia já lutar sozinha. Mas... Não quero... Não quero mais essa sensação... Pelo que estou lutando?



Nah... Isso vai passar... Eu só vou ser preguiçosa um pouco mais... E quando minhas lágrimas secarem... Seguirei em frente... 

Me deseje sorte... 

Se é que alguém ainda lê isto...

domingo, 21 de janeiro de 2024

o valor do amor

(Museu de música kawaguchiko)

Qual o valor do seu amor?

Eu sou a filha amada, mimada e mais bonita. Mas nunca achei que tais rótulos dados por outras pessoas me tornassem tão miserável.

Bem, se alguma vez eu disser que quero meus pais juntos de algo que é importante para mim. Eles dizem, vá sozinha. Você é forte e independente.
E de fato, se eu quiser algo eu vou atrás, mesmo que sozinha, sem apoio e pessoas me pusando para trás. Eu sempre consigo o que eu quero.
Isso é bom? 

Bem, é bom por que sou independente. Mas é solitário. Sabe aquela quermece de bairro que você esperou o ano todo?
Sabe aquela festa japonesa? Aquele rodízio de sushi?
Pois é. Eu sou aquela sentada em um canto olhando a festa maravilhada. Mas sem amigos, sem família, sem ninguém acompanhando.

Sim, é claro que eles me acompanharam em 30% dessas festas. Mas a maioria delas são as que não estava mais fazendo questão ou aguardando tanto. Simplesmente não consigo planejar algo com minha família, eles simplesmente fazem como querem, quando querem. O que é um pouco triste e solitário.

Havia uma festa que ocorre 1 vez ao ano. E eu disse o quanto eu aguardei por eles, o quanto estava ansiosa e nervosa por esta festa. Tanto que avisei muito antes e até quando faltava 1 ou 2 semanas, disse que esperava muito.

Eles disseram que iam de tarde. E eu ansiosa fui de manhã com meu esposo. Me diverti, mas fiquei o tempo todo no celular esperando eles...

Eles não vieram. Não fui ruim. Mas estranhamente precisei parar e chorar. As lágrimas não cabiam em mim. A dor me fez desejar se chorar no chão e chorar como uma criança. Foram 2 anos planejando esse passeio. Era importante para mim.

Mas, estava quente, esta caro, é longe. 20 min de carro é longe. 15 minutos a pé é longe. Tudo é difícil e doloroso.


Estas fotos são do passeio que meu irmão quis. Ele viu este lugar e menos de 1 estação estávamos lá. É pago para entrar, é 1 hora de carro. Eu fui, me diverti e fui bom...

Mas agora me sinto magoada... Por que tudo para ele parece tão fácil? É um passeio pago, do outro lado do estado. Por que?

Estava nevando, chovendo, é céu aberto. Mas... Nós estavamos lá...

Eu joguei uma moeda na fonte. Ela bateu na borda e caiu fora. Eu ri. Meu esposo pegou a moeda e me deu. A joguei de novo e desta vez caiu na água.

Isso seria irrelevante. Se esta sensação não fosse em tudo.

Mas querida. Você tem tudo. Seus pais lhe dão cesta básica semanal, dinheiro nos passeios, ganha mais coisas que seu irmão.

Sim, eu sou como um dragão em uma pilha de ouro. O problema é: eu não quero dinheiro.

Eu queria aquela foto no passeio que esperei 2 anos e nunca houve.
Eu queria sentar e comer no meu restaurante favorito e depois ir ver vitrine na minha loja favorita.
Eu queria que um dia eu pedisse algo que quero muito e fosse prioridade.

(estacionamento seven kawaguchiko)

Mas querida. No seu aniversário saímos para fazer compras.
Sim. Mas não fomos na minha loja favorita. Nem comemos a tigela de macarrão que eu amo. O que você queria de aniversário?
Reunir meus pais, meu irmão e comer uma tigela de macarrão fresco na minha loja favorita. Ela apenas isso. Foram malditos anos para conseguir isso.

Pronto. Comemos. Agora vamos pra casa.

É sempre assim comigo. Fizemos o que você quer. Agora vamos pra casa...

(rio em fuji)

É complicado. Eu sinto inveja. Mas isso é algo que faz anos. Sentindo que nunca será a minha vez. Não importa o que eu peça de aniversário e natal. Nunca terei sem lutar, sem me quebrar em dois.

Eu sinto que preciso sempre falar de dinheiro e coisas materiais. Pois se não minha voz cai em ouvidor surdos.

Quando será minha vez?... 
Eu já disse para meu eu interior. Nunca.
Nunca há tempo para mim. Pois já me dão dinheiro, comida, e objetos que nem queria muito.

O que mais quero. Sempre fica pra próxima.
Mas a próxima vez nunca chega.
E quando chega, já estava sem esperanças de ter, já estava no nível de angústia que já falava "não quero mais".
Soa ingrato. E talvez pareça... Mas... Esperomente esperar 4 anos por um brinquedo. Ver acabar de todas as lojas e ficar na incerteza se algum dia o verá novamente...
Isso com tudo... Chegará em um ponto que vai cansar...

Eles vão embora do Japão. Voltando ao Brasil. E sabe de uma coisa? Talvez seja melhor assim. Mentir que eles não vão em eventos importantes para mim por que estão longe.

Eles estão longe. E não podem vir.
Eu digo esta mentira doce... 

Pois a realidade é amarga demais. Apesar que já me acostumei a este sabor amargo... E nem choro mais tanto como antes...

Talvez um dia eu nem me importe mais... 
É o que eu desejo aos deuses. Eu quero parar de amar e me importar. Assim a dor irá embora.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

postagem deletada


Há algo na porta. A presença é sombria e pesada. Não quero pensar nisso. Só quero dormir e ignorar.
Minha garganta dói e engulo o soluço e o choro. Estou apavorada. Meu pai quer vir aqui me ajudar com algo. Mas eu não to bem.

As vozes gritam coisas horríveis... Pela sua segurança. Fique longe de mim...
Fique longe de mim...

Eu odeio que me façam dizer a verdade. Há um monstro dentro da minha casa... Só eu posso ve-lo. Eu não to bem... Eu não tô bem...

Quero dizer palavras horríveis. Quero me pendurar no teto igual uma pinhata... Eu não tô bem... Eu não estou bem...

Fique longe... Por favor. Fique em segurança.
Fique longe de mim... 


Eu tento ser normal. Mas aqui dentro está tão quebrado... Eu estou quebrada.

Vão orar por mim. Vão dizer que querem meu bem...

Eu vou sorrir e agradecer. Mas não há cura...

Eu sei que chegarei aqui de novo. O meu esposo que se foda. Que o mundo se exploda... Que tudo seja tão quebrado quanto eu estou...

Essa dor... Novamente... Novamente... Novamente...

Se passaram mais de 10 anos... Alias... Feliz aniversário querida dor... Isso começou pouco depois de julho de 2008... 16 anos?...

Que loucura... 16 anos...

Eu quero desistir. Vivi muitas coisas boas em 16 anos... Sim, um mar de coisas boas. Mas todo mar tem um abismo. Que eu visitei também.

Um dia vou estar bem... Sim, estarei bem... Um dia... Mas acho que não é hoje...


Essa postagem foi deletada do meu perfil... Afinal
 Nenhum idiota entenderia... Nenhum.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Pobre...


Eu sempre escrevo a mesma coisa. Sobre minha dor e tristeza, eu sempre justifico até a última vírgula esperando que meus pais, meu irmão entendam e respeitem meus limites.

Mas, isso não vai rolar. Eu sou pobre. Minha saúde mental não é boa, estou magoada.

Eu queria que eles respeitassem o meu não. Respeitassem quando eu peço algo, ouvissem o que tenho a dizer. Mas tudo que ouço é: te amamos, queremos seu bem. Aceite. 

É fofo. Mas, as vezes um gesto vale mais que mil palavras.

As vezes queria que respeitassem o meu : por favor não venha na minha casa.
E ouvissem o meu: vamos sair hoje? 


Mas tudo cai em ouvidos surdos.
Eu não me sinto bem. Eu me sinto manchada com uma doença infecciosa. Sinto que quero me isolar e salvar as pessoas disso. Como se o que tenho pudesse ser transmitido.
O pensamento que se eu me der um fim, levarei isso comigo é uma tentação doce suave.

Eu quero me dar um fim... Eu não quero viver. Eu não to bem. Sinto que estou no limite.

Eu preciso de ajuda. Mas não sei para quem pedir.

Minha mãe prometeu me ajudar. Isso mais me machucou do que antes. Ela sempre faz isso. Promete o que não pode cumprir... Quantas vezes pedi ajuda e ela disse, vou te ajudar.

E bem, essa foi a ajuda dela. Uma promessa vazia. Eu não tô bem. Não quero conversar agora.

E ela disse mil coisas sobre ela. Eu não entendo o que ela falava. Nem lembro o que eu falava. Eu realmente estava em surto...

Agora tudo que tenho é uma memória vazia...

Um pouco infantil...

Arte de app: pixai ia

Meu pai e minha mãe estão em casa. Pararam de trabalhar e estão em casa. Mas eu briguei com a minha mãe, ela me disse coisas dolorosas e não quero ve-la.

Ela posta viagens e coisas legais nas redes sociais. Parece que é milionária e esta sempre se divertindo. Uma linda máscara.

Senti que queria me divertir um pouco. Mas... Olhei para tudo que tentei e deu errado. Para toda a dor e frustração que estou sentindo.

E acabei decidindo me afastar.

Eu queria meu pai, queria ir ver vitrines com ele e tomar uma tigela de lamen. Mas sem o meu irmão chato e minha mãe. Só eu e ele, até mesmo sem meu esposo. Só eu e ele. Algo para me lembrar de forma mais doce.

Sim, sou uma pirralha mimada de quase 30 anos. Queria ele só para mim. Só eu e ele. Mas... Como fazer isso?... Eu não sei... Eu realmente. Não sei.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Feliz Natal


Querido leitor deste diário Online. FELIZ NATAL. Lhe desejo todas as coisas boas. E espero que realmente o melhor de aconteça.


Bem, mas... Este diário não veio existir para registrar as coisas boas. Veio para registrar meus lamentos, loucuras e a escuridão de meu coração. E bem. Cá vamos começar com isso.

Meus sogros e a família de meu esposo vieram ao Japão. Fui visita-los por que moram á uma certa distância. Coisa de 3 horas de trem.

Foi uma viagem pacífica. Adoraria ter visto a linda paisagem, mas tanto na ida como na volta eu adormeci. Vê-los foi como uma passagem divertida ao paraíso, somente indo atrás do que precisam para viver, iniciar a vida por aqui.

Bem, mas aí que esta. Meus pais também foram visitá-los. Não sei o que pensar sobre isto.
O fato é que enquanto meu pai deu carona aos pais de meu esposo e meu esposo ao mercado local, eu fiquei na casa.

Minha mãe ficou a falar sobre o passado. 
Ela ama contar sobre os dias sofridos de nossa miséria, dos dias mais frios de nossas vidas.

De fato falar disso deixa eu e meu irmão apreensivos e magoados. Sempre nitidamente expressamos que não queremos nos lembrar disso.

Ela diz que é bom falar, que é uma história de superação....


Esse é o problema. Eu tenho pesadelos com essas memórias dolorosas. E bem, isso foi em 2008, mais de 10 anos. 10 anos dizendo que não estou confortável, que não quero ouvir, não quero fazer parte disso, que quero passar uma borracha, não quero tocar nisso.

Mas é sempre assim. Eu estou no mesmo ambiente, presa á minha mãe e ela adora falar alto sobre isso.

Meu irmão e eu sempre falamos. Isso dói. Mas ela se importa? Não.

O mundo é sobre ela. E nós somos sua maldita platéia.

Sabe, esse ano fui egoísta. Eu não fui ao Natal que ela escolheu. Eu fiquei em casa.

Eu, meu esposo e meus bichinhos.
Frangos da franquia de lanches mos burguer, bolo de mercado e alguns molhos. Foi gostoso.

Eu não precisei me policiar para não falar alto ou de assunto que ninguém liga e me ignoram na mesa, não precisei ouvir músicas que não curto, nem fazer sala para quem não curto.

Eu estou confortável. Claro que seria melhor com os pais do meu esposo. Íamos estar todos juntos. Eles não ligam de que eu me levante da mesa após comer e vá jogar vídeo game, ou só fique quieta largada. Eu posso fazer o que quiser, e sem:

-Tá, tossindo, toma este remédio.
-não apoie os pés assim no sofá, arrume sua coluna.
-Agora comemos prato X, agora comemos prato y, agora é bolo, agora é foto, agora é sobremesa, agora é....
-Fale baixo
-Fala pro seu marido comer, fala pro seu marido falar comigo, fala.... (Meu marido do meu lado, literalmente olhando na cara da pessoa)

Eu sei, é minuciosidade. Mas... Eu cansei.
Essas pessoas não me conhecem, não sabem da minha dor e alegrias, não sabem pelo que passo.

Insistem que eu coma coisas á base de leite. Sendo que me dá cólica e diarréia.

E quando recuso, me impedem de comer quando quero. "Ah, mas tem leite. Você não pode"


Que chatisse! Se eu disse que quero, me deixe comer. Uma colher não vai me matar. Mas uma fatia de 50gr, bem, aí me faz mal. Eu sei dosar. Tenho malditos 28 anos.

Eu saí brava. Não bato de frente, levanto e vou embora.

Minha mãe veio falar comigo.
Disse algo sobre essa ser sua verdade, como ela se lembra e que sua intenção não é magoar.

Ela veio atrás de mim.

Mas sabe. No passado eu queria muito que ela viesse até mim.

Mas... Dessa vez. Eu tenho 28 anos. Estou tanto tento magoada, que não me importo mais. Eu ouvi coisas que queria ter ouvido 10 anos atrás.

Eu percebi que em mais de 10 anos ela faz a mesma coisa, todo natal, todos os anos.... Eu sempre estou magoada e sem esperanças com o Natal... Eu já berrei na adolescência que odeio essa época.

Mas hoje... Hoje senti que estava tão ferida, tão machucada que nem dói mais. Não dá para me ferir mais emocionalmente.... Não há mais o que doer. Dói tanto que... Eu não ligo mais.


Há muitos sentimentos dolorosos aqui dentro. Há muita dor aqui... Mas creio que não é a hora para isso. Aliás, nunca sinto que seja a hora certa. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

não quero UM REAL DESSA...


Do começo. DO COMEÇO!!!

Meu avô japonês era de uma família rica que veio ao Brasil para ganhar mais dinheiro. Nível? Nível que pegava avião particular para ver terras na Amazônia na época que guaraná só vinha em vidro. (Popularmente: a época do guaraná com rolha)

Bem, isso foi ruim, aparentemente o avião caiu e esse querido tio bisavó ou bisavô perdeu a vida.

Segundo meu falecido avô, foi uma guerra na família por herança, ele irritado de tanta briga disse, não quero a minha parte e se tornou o parente mais pobre da família, criando meu pai e seus irmãos na miséria, mas ele é um guerreiro e conseguiu comprar uma casa de terreno grande no interior de SP, onde viveu até falecer.

Meu pai, seguiu seus passos, foi ao Japão e trabalhou junto com minha mãe para comprar imóveis e assim ter uma renda simples passiva.

Por motivos que não compreendo, meu pai precisou passar ao nome meu e do meu irmão menor de idade.

Até aí,tudo bem, né?

Tá garantido o seu, não?


O CAR@LH0 QUE TA!!!!

Volta e meia preciso assinar algum documento, dar autorização de algo. Odeio isso.
Mas é só assinar...


Ok. O problema que isso é tecnicamente minha herança. E eu não quero nenhum real, nada. NADA!!! Desejo que fique tudo para meu único irmão mais novo.
Pois isso deu muita dor de cabeça, cheguei sonhar em morar em uma das casas, mas quando falava isso diziam: não, mas você deve alugar isso, ter grana. Você vai trabalhar e conquistar o seu.

Por que diabos então me disse que tenho essa #$@#?

Aí comecei namorar. E depois de alguns namoros rapidamente me apaixonei e quis casar. E seremos sincera, queria casar logo para ir embora e transar. Sim, era virgem, por que queria andar "na linha" ao mesmo tempo que só pensava em ficar logo no felizes para sempre. E por que a perturbada aqui acreditava no ditado popular.

"Quando casar sara"... Aham, vai nessa...

Essa tal "Herança", sempre veio com palavras que meu futuro estava quase que garantido, que teria uma boa vida. Que estava melhor que sei lá quem.

Sabe, eu não queria herança. Eu queria aquele cachorro quente de sábado de tarde quando tinha 12 anos. Eu queria aquela pizza para comemorar que tirei 10 em alguma matéria após passar a noite em claro estudando.

Eu queria muito mais fotos e memórias de momentos juntos em família, rindo curtindo. Sem o maldito quanto curta, o orçamento é X. Se for mais que Y desista.

Poxa... Uma vez. Uma vez na vida. Eu queria ter sido mais importante que esse maldito dinheiro economizado. Eu queria mais que ouvir "Você é nosso maior tesouro".

Eu QUERIA ME SENTIR O "o maior tesouro"...

Essa herança amarga, que eu já amaldiçoei e desejei que nunca tivesse existido. Olha-la me faz sentir que ela me roubou de mim o meu sorriso.

Eu a odeio... Odeio toda vez que preciso me lembrar que ela existe. Eu realmente a odeio...

Não é minha prioridade. Mas... Se um dia Deus me der um trocado. Eu bou tirar meu nome dessa herança. Me sentirei livre dessa sombra na minha vida.

Serei pobre, sem 1 real pra onde cair morta. Mas tudo bem. Essa memória ruim, essas lágrimas, tudo, terá se dissolvido como um castelo de areia quando o mar vem.

Um dia poderei me sentir livre. Eu não quero nenhum real. Não queri 1 centavo...

Ah, sim. Acredita que falaram que eu não podia me casar com meu amado após 3 meses de namoro por que ele era um golpista?
Acredita? Bem... Eu realmente queria ter tido grana pra tirar meu nome desses documentos. Por mim é tudo do meu irmão. Ele é o herdeiro disso.

Eu sou a filha que já falaram: "A porta da rua é serventia da casa"
A filha que não se sentia acolhida.

Eu odeio essa herança... Se quiser me dar algo. Me dê seu livro de receitas favorito.
Aquela panela velha onde fizemos sopa juntas.
Aquele prato de estampa de coelhinho onde lembro de comer bolo, sushi e meus cafés da tarde mais felizes... Também o mesmo prato que já coloquei na mesa, coloquei um pouco de leite com achocolatado e tomei igual sopa. 
Estava com fome. Era meia noite e minha ultima refeição foi as 10 da manhã. Tinha dever da faculdade, tomar banho e ir pra casa, todos dormiam e eu estava sozinha, nem o cão se levantou para me receber naquela noite fria de inverno.

Somente eu e o prato de coelhinho. As lagrimas amargas e uma colher. Não havia bolachas e nada pronto. Só arroz cru, comida congelada na geladeira, algumas frutas e legumes.

Eu podia ter comido tomate, comido melancia, melão ou abacaxi.

Mas eu estava querendo arroz, feijão e comida salgada. Eu lamentava que naquele dia nenhuma colher de arroz coloquei na boca, sobrevivi comendo maçãs e um bolo de aipim com côco.

Era bom. Tem sabor de fome e solidão. Mas tem sabor amor de batalha. De suor.

Tu nunca passou fome.

Essa é a maior mentira que já ouvi. Dispensa cheia de comida. Mas tudo cru, congelado e eu sem tempo para cozinhar.

As vezes até tinha comida, comia aquela porção e encarava o prato vazio, cada grão de arroz eu lambia desesperadamente. Como um tamanduá bandeira. Enchendo de feijão a porção que tinha.

Eu lamentava. Quando comeria abertamente? As vezes ter fome é triste. Mas as vezes é pior ter comida em abundância de vez em quando. Pois aí tu come demais, mais do que precisa, por que tem a incerteza do amanhã.

Eu passei fome. Mas não por que era pobre. Mas por que estava abandonada...

Diziam você é grande. Se vira.

Isso era cruel. Estudar, trabalhar, receber pouco, dar tudo pra faculdade e ainda passar fome no intervalo. As vezes eu ficava perto dos fumantes. O cheiro do tabaco ajudava saciar a fome. Eu vivia sempre perto debum bebedouro, bebendo água como um cão sarnento.

Eles brincavam que eu era inchada e não gorda. De tanta água que viam eu beber... Eu ria... Pra depois se afastar e chorar. Era doloroso... Sentir tanta fome.

Mas o que doia mais era... Sentir ser esquecida e abandonada. Pois se me amassem. Me dariam o que comer... 

Por isso, eu odeio essa herança. Odeio por que sinto que ela tirou de mim a comida, o amor, a paz e a saúde mental... Eu a odeio... Tanto. Que já me fantasiei me pendurando com uma corda, tirando a vida de mim mesma nesse lugar. O deixando marcado. Como o lugar que a menina se .....

Bem... Eu... Realmente... Odeio... Tudo isso. 
Se Deus abençoar, estarei livre disso. Mas de forma que beneficie meu irmão. Por que não quero que minhas lagrimas sejam em vão...